quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Trecho do livo Cidade do sol...
“Uma jovem Mariam está sentada junto à mesa, fazendo uma boneca à luz de uma lamparina a óleo. Está cantarolando. Tem o rosto juvenil e suave, o cabelo foi lavado e penteado para trás. E não lhe falta nenhum dente. Laila a vê colocar pedaços de lã na cabeça da boneca. Em poucos anos essa menina vai ser uma mulher que pede muito pouco da vida, que nunca incomoda ninguém, que nunca deixa transparecer que ela também tem tristezas, desapontamentos, sonhos que foram menosprezados. Uma mulher que vai ser como uma rocha no leito de um rio, suportando tudo sem se queixar. Uma mulher cuja a generosidade, longe de ser contaminada, foi forjada pelas turbulências que se abateram sobre ela. Laila já consegue ver algo nos olhos daquela menina, algo tão arraigado que nem Rashid nem os Talibãs conseguiram destruir. Algo tão rijo e inabalável quanto a um bloco de calcário. Algo que, afinal, acabou sendo a sua ruína e a salvação de Laila.”
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